SULT
Um lugar ao Sol,
pela Baía de Cascais
Descendo a Rua Direita de Cascais, deixamo-nos levar pelo murmúrio das ruelas, onde o comércio antigo se mistura com o perfume salgado do mar. À esquerda, o caminho conduz-nos à memória da antiga lota, coração pulsante da vila, e logo a Rua das Flores abre-se como um corredor de histórias até à baía luminosa.
No percurso, surge o Sult, aberto em 2024 pelo Chef Nelson Soares, como um refúgio de sabores e encontros. A sua esplanada acolhe o viajante, e dentro, paredes sóbrias adornadas com imagens de Itália revelam recantos íntimos, ideais para partilhar confidências e silêncios. Ao fundo, a mesa do chefe, ampla e triangular, ergue-se como altar de convivência, onde pratos e palavras fluem com a leveza de um vinho que se derrama da garrafeira — vasta, cosmopolita, mas com alma lusitana, feita de pequenos produtores que guardam segredos em cada garrafa.
Entre os sabores, o Ragu de porco preto impõe-se como abraço quente, robusto e delicado, enquanto a lasanha fenomenal se torna o ex-libris da casa, guardando na memória o sabor da felicidade que nos faz regressar. São pratos que não apenas alimentam, mas criam raízes na lembrança.
E quando chega a sobremesa, o Tiramisu de pistachio surge como promessa de modernidade, leve e ousado, símbolo da dinâmica criativa do chef. É o último gesto de uma refeição que não termina no prato, mas se prolonga na conversa, no riso, no brilho dos olhos.
No Sult, comer é celebrar: é viajar entre continentes sem sair de Cascais, é brindar ao passado e ao futuro, é deixar que os sabores se tornem memórias e que as memórias nos tragam sempre de volta.