Top FRANCESINHAS 

As Francesinhas são exclusivas do Porto ou apenas mantêm com a Invicta uma relação de parentesco assumido? Foi esta dúvida legítima, saborosa e ligeiramente perigosa para o colesterol, que me levou a mergulhar numa investigação de campo onde cada garfada era um compromisso científico.

Afinal, estamos a falar de uma iguaria elevada ao estatuto de estrela nacional.

Mas o que é, afinal, a Francesinha? Uma sanduíche hiper-desenvolvida, inspirada no croque-monsieur francês, que um portuense decidiu "melhorar". E quando um portuense melhora algo, sabemos o que acontece:

Mais molho, mais camadas, mais carne, mais sabor, mais intensidade, mais risco cardiovascular.

O resultado deixou de ser sanduíche para se tornar prato e, para muitos, quase uma entidade clubistica.

O berço oficial está no restaurante A Regaleira, no Porto, e a assinatura é de Daniel David Silva. Por volta de 1952-53, este barman decidiu pegar no croque-monsieur e afiná-lo ao gosto português: carnes mais sérias, queijo a derreter sem pudor e um molho picante cuja fórmula continua guardada a sete chaves. Chamou-lhe "francesinha" em homenagem às mulheres francesas da época, e o resto tornou-se história gastronómica.

Na minha própria inspecção, parti das referências que moldaram o meu palato: a Regaleira e a Capa Negra. Depois vieram muitas outras Confraria da Francesinha, Café Convívio, Café Santiago, Brazão… todas com ADN semelhante, todas com variações subtis. A minha preferida no Porto continua a ser a do Bufete Fase, mas isso fica para outra conversa.

O ponto é simples: as primeiras Francesinhas que provamos tornam-se a nossa bitola emocional. E isso ficou evidente quando pedi sugestões — cada pessoa transmitia a sua referência: umas mais doces, outras mais ácidas, outras com molho mais próximo de caldo de carne. A memória manda mais do que a receita.

Na minha análise para este Top Ten, considerei a minha referência original, mas também critérios objetivos:

  • espessura e personalidade do molho
  • ligação com as batatas fritas
  • equilíbrio do sabor
  • e acima de tudo, a qualidade dos ingredientes

Convém esclarecer: 


                                 NÃO CONSIDERO A FRANCESINHA UM PRATO REFINADO 


. Ela é aquilo que é fácil de gostar porque tem tudo o que faz mal. Colesterol em excesso, gordura em excesso, sabor em excesso, quantidade em excesso. 

É a rebeldia do palato, o prazer culpado que ninguém admite mas todos procuram.

E foi com este espírito científico, nostálgico e ligeiramente suicida para as artérias que percorri Lisboa à procura das melhores interpretações desta criação portuense.


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